Hoje, por cá, vou falar da crise, dessa maldita!
Após as declarações do Sr. Ministro das Finanças Vítor Gaspar, é impossível ficarmos indiferentes, pois os tempos que se avizinham vão ser efectivamente muito difíceis. O consumo vai diminuir, logo, as vendas diminuem, por sua vez a produção irá diminuir e com isto a Economia não cresce. Mais insolvências, mais despedimentos, mais depressões, mais criminalidade....
Uma das medidas anunciadas por Vítor Gaspar (que é assim que ele gosta de ser tratado), é a possibilidade de os contribuintes poderem deduzir no IRS 5% do IVA dos bens e serviços que compram no dia a dia. Para que tal aconteça, é necessário pedir a factura (como lhe chamam, quando na verdade é o recibo ou venda a dinheiro). A semana passada, fiquei estupefacta quando verifico a numeração do recibo que me foi dado (depois de eu o solicitar). Estamos quase no final do ano e tinha o número 28.
Primeiro, não tinha de ter a necessidade de pedir o recibo. Se eu pago IVA sobre esse bem ou serviço, teria de me ser entregue de imediato.
Segundo, como temos de pedir, como é possível que a maioria dos portugueses não o faz?
Sabem qual é a consequência?
Além de termos uma economia de paralelos, temos uma economia paralela. Sempre existirá, eu sei. Julgo utópico deixar de haver no Portugal e no mundo economias paralelas.
Quando vamos a um restaurante e pagamos € 10,00, estamos a pagar IVA mas a partir do momento em que não pedimos um recibo, o imposto que supostamente deveria ir para o Estado, fica para a empresa, o que significa que os contribuintes pagam mais imposto e as empresas menos.
Pois é, a verdade é que a Economia Paralela representa aproximadamente 30% da Economia legal.
30 % que poderíamos pagar a menos se todos os cidadãos pedissem recibos sobre todos os bens e serviços que consomem, independentemente do valor.
Façam o favor de começarem a pedir recibos nos cafés, restaurantes, cabeleireiros, lojas, gasolineiras, etc.
Beijo terno e eterno.

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